Dom Ricardo: “Somos fruto do transbordamento do amor de Deus”

Na noite de domingo, dia 29 de março, foi ao ar o segundo encontro virtual Hora da Vida, na página da Pastoral Familiar no Facebook. Na ocasião, o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, aprofundou o tema “Início da vida: ser concebido e nascer”. Em sua explicação a respeito do parágrafo 2270 do Catecismo da Igreja Católica, dom Ricardo ressaltou que “todos nós somos fruto do transbordamento do amor de Deus”.

Desde o primeiro momento, quando o espermatozoide e o óvulo se unem, é uma explosão de vida, é uma beleza. Deus ali infunde a alma, tudo está ali, fazendo-se, moldando-se. É Deus que dando fundamento de toda célula e vai construindo o ser humano pela sua bondade infinita, pelo seu transbordamento de amor. Todos nós passamos por isso, todos nós somos fruto do transbordamento do amor de Deus que acontece na hora da concepção”, disse dom Ricardo.

O momento de oração e formação deste domingo iniciou com as intenções pelas crianças que estão para nascer, pelo zelo pela vida, na Intercessão de Santa Gianna Beretta Mola e de Nossa Senhora. Dom Ricardo também rezou pelo fim da pandemia do coronavírus.

Mostrando uma escultura de um feto de 14 semanas, dom Ricardo exortou que “não podemos jamais permitir que a vida inocente seja violada, exterminada”. Na sequência, motivou os participantes a lerem o parágrafo 2270 do Catecismo da Igreja Católica e a meditarem o Salmo 139.

Ainda a partir do Catecismo, dom Ricardo destacou o parágrafo 2273, que fala do direito inalienável à vida como elemento constitutivo da sociedade e da legislação: “Nós defendemos a vida não só pela questão religiosa, mas porque a vida é a porta que se abre para todos os direitos. O primeiro e primordial direito é a vida. Se nos alienamos a vida, se tiramos a vida ao bel prazer, então nós esquecemos que estamos ferindo o principal de todos os direitos”.

O bispo recordou as ações por meio da CNBB para acompanhar projetos de lei e também ações no Supremo Tribunal Federal que, de algum modo, colocam esse direito, que “deve ser reconhecido por toda a sociedade civil e toda a autoridade”, em risco.

Dom Ricardo ainda indicou como elemento para a formação um trecho do documento conciliar Guadium et Spes, onde a Igreja ensina que “Deus confiou ao ser humano o nobre encargo de proteger a vida”, além do livro “Precisamos falar sobre aborto – mitos & verdades”.

Na publicação, entre os vários artigos, está um de uma das peritas da Comissão Especial de Bioética da CNBB, Lenise Garcia. No texto, a bióloga partilha:

O aborto não elimina a angústia da mãe, mas a perpetua para o restante da vida. Por isso, depressão e pensamentos suicidas são mais frequentes em mulheres que fizeram aborto. O filho morto não é inexistente, uma “gravidez cancelada”. O aborto tira a criança do útero de sua mãe, mas não da mente e nem do seu coração. Nesse caso específico, a mãe terá para sempre as dúvidas sobre as reais condições de seu filho”.

Dra Lenise Garcia

Formação de acompanhamento de trauma pós-aborto

Dom Ricardo também lembrou da formação oferecida pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) para pessoas que pretendem oferecer acompanhamento a mulheres que sofrem de trauma pós aborto. Em fevereiro, ocorreu a primeira edição da formação. Kathia Stolf, que forma o casal coordenador nacional da Pastoral Familiar com seu esposo Luiz Stolf, informou que podem ser obtidas mais detalhes sobre este acompanhamento no endereço eletrônico do Projeto Esperança:  brasil@proesperanza.org

Participação Especial

O Hora da Vida deste domingo teve a participação especial de dom Moacir Arantes, bispo auxiliar da arquidiocese de Goiânia (GO), que partilhou sua experiência pastoral no acompanhamento às pessoas que acolhem a vida: “Pessoas que quando a gestação foi descoberta viviam um momento de dificuldades, mas que decidiram acreditar que aquela vida era dom de Deus. Depois, o amor que brotou irradiou, transformou aquela família”.

Dom Moacir também recordou o acompanhamento a pessoas “com histórias dolorosas”, que não tiveram apoio para suas escolhas.

Ex-assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom Moacir também partilhou a iniciativa desenvolvida em sua paróquia, na diocese de Divinópolis (MG), antes de se tornar bispo. Ali eram realizados dois encontros para casais gestantes, “ajudando os pais a descobrirem que aquela criança que está dentro do útero, desde o momento da concepção já está construindo uma história com eles. Aquele ato criativo de Deus, com a colaboração de um homem e uma mulher, ele já transformou. Aquela mulher se tornou mãe e aquele homem se tornou pai”.

Os encontros sempre realizados nos dias 25 de março e 1º de outubro. Durante uma manhã, reunia gestantes e pais com a proposta de reflexões e orações. Os participantes eram convidados a perceber que “se Deus coloca essa criança na vida deles não é por mero acaso, mas Deus tem um projeto não só para a criança, mas para aquela mulher, aquele homem através da criança”, disse dom Moacir. Na oportunidade, também são ensinados cantos para as mães cantarem para as crianças ainda no útero.

O acompanhamento proporcionou uma experiência de pastoral orgânica na paróquia, uma vez que, casais da Pastoral Familiar e de namorados, grupo de viúvas, equipe de Batismo e catequese estavam envolvidos no trabalho de acompanhamento na gestação, após o nascimento e na preparação para a celebração do primeiro Sacramento da iniciação à vida cristã.

O encontro virtual Hora da Vida do último domingo alcançou cerca de 20 mil pessoas e está disponível para ser assistido na página da Pastoral Familiar no Facebook.

Publicado por Pastoral Familiar_CNBB em Domingo, 29 de março de 2020

Autor: Pastoral Familiar

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